terça-feira, 5 de março de 2013

Fácil..por vezes difícil...



"É fácil trocar as palavras, 
Difícil é interpretar os silêncios! 
É fácil caminhar lado a lado, 
Difícil é saber como se encontrar! 
É fácil beijar o rosto, 
Difícil é chegar ao coração! 
É fácil apertar as mãos, 
Difícil é reter o calor! 
É fácil sentir o amor, 
Difícil é conter sua torrente![...]


Fernando Pessoa

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não há maneira...

"Do mesmo modo que não há maneira de chegarmos a um acordo para a chamada Concertação Social, também no amor está difícil de conseguir. Não há concertação social que valha ao amor, porque há sempre alguém que acha pouco mas sobretudo que faz de mais. As pessoas têm medo de fazer de mais e eu percebo-as. A possibilidade de fazerem uma entorse, luxação no ombro ou esgotamento mental são muito superiores quando isso acontece. Há de resto a ideia de que quando fazemos de mais somos vulgarizados por isso.


E o amor não se quer vulgar; pelo contrário, quer-se distintivo, como aqueles que a polícia usa ao peito para que se saiba o seu nome. O amor tem de saber o seu nome e as letras de que é feito e por isso tem de chegar a um acordo. E nisto há sempre um Carvalho da Silva, um João Proença, gente a gritar nas ruas “ CGTP unidade sindical! 40 horas já! 40 horas já!” E o amor, tal qual estas 40 horas, tem de ser já. Não há passado no amor nem futuro, o amor é só presente, é este agora com que escrevo, é a urgência que sentimos ao chamar a ambulância. Na verdade, é o carro do INEM que vai na frente a abrir caminho. O amor quando é bom cede, e eu não acredito em pessoas que amem sem que o façam. O amor cede todos os dias, é o “está bem está bem” como quem diz “ai se eu não te amasse tanto!”, é o “pronto, vou lá eu!”, quando já estamos deitados e nem sequer fomos nós que deixámos a luz da sala acesa. O amor é esse levantar da cama, é enfrentar o inverno do corredor, quantas vezes o da cozinha, que é como se sabe o chão mais frio, e apagar a luz e correr por ali fora até chegarmos à nossa cama, onde está o nosso amor tão quente, tão coberto, para aí entrarmos sem demora, com os nossos dois pés gélidos e lhe provocarmos um mais que justo e romântico choque térmico. Choque térmico."



Fernando Alvim

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Os nossos passos

"Somos nós, com os nossos passos, que vamos fazendo o nosso próprio caminho. Há quem corra demasiado depressa e perca a alma no trajecto, há quem mude de ideias e arrisque um atalho, há quem não saiba escolher a melhor direcção quando chega a uma encruzilhada, há quem deixe pedras pelo caminho para não se perder, se precisar de voltar para trás.
Não sei que espécie de caminhante sou, para onde vou, não sei. Nem sei para onde vais. Nem tu sabes. Pode ser que um dia acordes com uma luz nova, uma força desconhecida que te vai trazer até mim… Sei que há uma força estranha que me faz correr para ti, embora nunca, em nenhuma circunstancia, corra atrás de ti, porque não posso, não me é permitido interferir no teu destino e mudar o curso da tua vida. Isso, terás que ser tu a fazê-lo, por ti e para ti, se assim o entenderes. Será que sentes a mesma força?" Margarida Rebelo Pinto

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amas só por amar. Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!


Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se poder amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!


Há uma primavera em cada vida
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!


E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder...pra me encontrar...


- Hoje percorri o olhar entre aquelas prateleiras cheias de novos livros, todos à espera que peguem e sejam lidos, amados, escritos, vividos, pois têm muitas histórias para contar.
- Hoje encontrei os sonetos de Florbela Espanca e trouxe-os comigo para casa...e mais um livro de uma grande escritora portuguesa (Rosa Lobato Faria)
- Hoje deixei Florbela Espanca ler-me este soneto em que diz que vale a pena amar, ousa amar hoje, agora...sempre!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Saudades

Saudades! Sim...talvez...e porque não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensava vê-lo até à morte
Deslumbrar-me a luz do coração!

Esquecer! Para quê?...Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, não nos importe,
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!

E quem me dera que fosse sempre assim!
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudades andasse presa a mim!

Florbela Espanca

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Paredes de pedra


A chuva cai lá fora, o vento sopra e trás o frio de Inverno com ele. Já há muito que o Verão continuava a fazer braço de ferro com o Inverno, pois queria ficar por mais tempo aqui neste lugar bem no canto da Europa.
Hoje refugiei-me entre aquelas paredes antigas que tanto conheço, corredores intermináveis que percorri na minha infância e que ainda hoje percorro, na busca de algo mais, na crença de um Amor maior e numa felicidade plena.
Hoje neste mesmo lugar encontrei o conforto de palavras concretas e directas que me fazem encontrar rumo neste momento onde o nevoeiro debate-se para ficar.
Hoje oiço: "não perguntes porque?", "mas para que?".

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Novos silêncios

Há silêncios que se prolongam, rumos distintos são traçados e tomados.
Existem realidades que começam a revelar-se. Há confrontos que tomam forma. Pois os olhares, silêncios, conversas intermináveis que sossegam ao som de suspiros quando as respostas continuam sem lugar, abrem espaços para a luz entrar.
Há silêncios que segredam e fazem despertar o mundo adormecido.