sábado, 26 de outubro de 2013

Amo e quero.




Amo e espero
                Amo e sonho
                               Amo, desejo e protejo
                                                            Guardo e levo comigo num sonho
                                                                                                       Um amor que me constrói e destrói
                                                                                                        Amor que me conforta e doí!
                                                                                                                                              Amo e quero.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Nunca a interrogues..


Segue o teu destino, 

Rega as tuas plantas, 
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra 
De árvores alheias. 

A realidade 
Sempre é mais ou menos 
Do que nos queremos. 
Só nós somos sempre 
Iguais a nós-proprios. 

Suave é viver só. 
Grande e nobre é sempre 
Viver simplesmente. 
Deixa a dor nas aras 
Como ex-voto aos deuses. 

Vê de longe a vida. 
Nunca a interrogues. 
Ela nada pode 
Dizer-te. A resposta 
Está além dos deuses. 

Mas serenamente 
Imita o Olimpo 
No teu coração. 
Os deuses são deuses 
Porque não se pensam. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 5 de março de 2013

Fácil..por vezes difícil...



"É fácil trocar as palavras, 
Difícil é interpretar os silêncios! 
É fácil caminhar lado a lado, 
Difícil é saber como se encontrar! 
É fácil beijar o rosto, 
Difícil é chegar ao coração! 
É fácil apertar as mãos, 
Difícil é reter o calor! 
É fácil sentir o amor, 
Difícil é conter sua torrente![...]


Fernando Pessoa

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não há maneira...

"Do mesmo modo que não há maneira de chegarmos a um acordo para a chamada Concertação Social, também no amor está difícil de conseguir. Não há concertação social que valha ao amor, porque há sempre alguém que acha pouco mas sobretudo que faz de mais. As pessoas têm medo de fazer de mais e eu percebo-as. A possibilidade de fazerem uma entorse, luxação no ombro ou esgotamento mental são muito superiores quando isso acontece. Há de resto a ideia de que quando fazemos de mais somos vulgarizados por isso.


E o amor não se quer vulgar; pelo contrário, quer-se distintivo, como aqueles que a polícia usa ao peito para que se saiba o seu nome. O amor tem de saber o seu nome e as letras de que é feito e por isso tem de chegar a um acordo. E nisto há sempre um Carvalho da Silva, um João Proença, gente a gritar nas ruas “ CGTP unidade sindical! 40 horas já! 40 horas já!” E o amor, tal qual estas 40 horas, tem de ser já. Não há passado no amor nem futuro, o amor é só presente, é este agora com que escrevo, é a urgência que sentimos ao chamar a ambulância. Na verdade, é o carro do INEM que vai na frente a abrir caminho. O amor quando é bom cede, e eu não acredito em pessoas que amem sem que o façam. O amor cede todos os dias, é o “está bem está bem” como quem diz “ai se eu não te amasse tanto!”, é o “pronto, vou lá eu!”, quando já estamos deitados e nem sequer fomos nós que deixámos a luz da sala acesa. O amor é esse levantar da cama, é enfrentar o inverno do corredor, quantas vezes o da cozinha, que é como se sabe o chão mais frio, e apagar a luz e correr por ali fora até chegarmos à nossa cama, onde está o nosso amor tão quente, tão coberto, para aí entrarmos sem demora, com os nossos dois pés gélidos e lhe provocarmos um mais que justo e romântico choque térmico. Choque térmico."



Fernando Alvim