
Acordo agora numa nova realidade, existe uma ausência que diariamente se impõe na minha realidade. Olho para o meu mundo, a tua ausência torna-o maior e mais despido. Despido de amor, amizade, sentimentos, conversas e cumplicidade. Nesta nudez é o eco que me responde quando volto a projectar a minha voz na busca da tua que agora só vive na minha memória de ti. Onde estão os nossos diálogos? Onde ficaram os nossos minutos, aqueles em que tudo dizíamos e púnhamos a conversa em dia, ou aqueles nossos silêncios, parávamos a observar o mundo na sua constante agitação, mas nós nada dizíamos, tudo pensava-mos e naquele silêncio de palavras muita coisa era dita e sentida.
Prossigo a minha vida, como tu de certeza desejas, mas tu não vais com o tempo, trago-te comigo. És tu que estás bem presente quando abro os olhos todas as manhãs, quando bebo o meu café e troco bons momentos com amigas, és tu que estás comigo quando estou a trabalhar, algo com que estavas sempre preocupado, na tua apaixonada e cómica ânsia de que estivesse a gostar e a sentir-me feliz. À noite quando regresso ao mundo que pertences-te, ainda aqui estás, a olhar para mim como mais ninguém o sabia fazer. Olhares nossos.
Olho para ti e sorrimos como se tivéssemos trocado um segredo. É com esse sorriso que todas as noites volto a dormir, contigo no meu coração. Fecho os olhos e tu ali ficas, à minha cabeceira, a admirar-me e abençoar-me, desejas-me bons sonhos, pois tu vais ficar para me proteger dos pesadelos. Meu anjo da guarda, agora descanso deitada nas tuas macias asas.
