terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Paraíso



De olhos fechados no agora…sinto uma brisa fresca a tocar a minha face. De muitos locais onde já estive durante a minha vida este é diferente, o que chega até mim é uma brisa reconfortante, embaladora fazendo-me lembrar os braços protectores da minha mãe, onde era refugiada e adormecida. Esta brisa trás ainda mais recordações dessa pessoa, pois esta brisa faz-se soar nos meus ouvidos. Este som é uma harmonia, tocada por inúmeros instrumentos de uma orquestra afinada e harmoniosa, era assim que os meus ouvidos escutavam a melhor harmonia terrena…o mar. Uma imensidão tão grande num planeta tão pequeno, tanta transparência mas com tanta vida oculta, tanta calma mas personalidade marcada. É esta a acalmia e a melodia celestial e harmoniosa que me chega.

O conforto e a harmonia invadem o meu interior, sinto-me a ser levada para outro local, talvez outra dimensão…a leveza reina em mim, o “nada” bem presente como se nada mais existisse se não eu e a imensidão do tempo, sem passado, presente ou mesmo futuro. Este estado é familiar, já fora sentido por mim, onde nada mais existia…o meu quarto. Espaço pequeno mas gigante. Sim, é ele o meu mundo, marcado com pequenos pedaços de mim. Paredes silenciosas mas não vazias, guardadoras de segredos, testemunhas de acontecimentos tão normais mas ao mesmo tempo especiais e pessoais. Ali era levada para a minha dimensão, onde eu era eu, pensamentos meus, sentimentos meus, dúvidas minhas, mas um pouco de tudo de todos. O mundo ficava lá fora mas as pessoas vinham comigo, eram elas que também faziam o meu mundo. O meu pequeno e enorme mundo.

Mas neste momento não é o cheiro de incenso, dos meus perfumes e dos pensamentos que está no ar. Ao meu nariz chega outro aroma bem diferente, chegou vindo pela brisa. É um aroma fresco, fino, suave mas mesmo assim definido, trás consigo um travo salgado. Este cheiro salgado faz-me despertar, querer despertar para o momento.

Abro os olhos e há uma conjugação de azuis, pequenos amontoados de branco que se vão mexendo como se quisessem vir em meu encontro, tocar e envolver suavemente. Volto a observar o que a minha volta está presente. Do alto vem uma luz branca, mas não é fácil olhar, parece querer estar ali mas manter-se numa nuvem envolvente de mistério.

Agora com os olhos mais afeitos ao que observam, olho para mim mesma. O meu corpo está agora coberto por uma túnica branca, agora com as minhas pernas cruzadas, os braços caídos sobre elas. Não estou no “nada” como me sentia, estou sentada sobre um aglomerado de pequenos grãos castanhos, deixo-os assentar na palma da minha mão, escorregam entre os dedos, é areia. Elemento bem importante e familiar, onde muitas vezes me deitei com o objectivo de nada fazer, só deixar o tempo passar, onde deixei o meu corpo ser coberto por estes grãos, onde uma pequena criança chegou a sonhar e construir castelos, muralhas, numa tentativa de dar forma aos pequenos pedaços…

Agora encontrei-me…eu, o horizonte, o mar, o céu, o sol, a praia, as ondas, o cheiro à maresia, os grãos de areia, os raios de sol… Saboreio este paraíso oferecido…onde o paladar, o verdadeiro, é sentir-me eu, ali nada mais existe.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Fragmentos gigantes de tempo


Tantas coisas já foram levadas pelo vento do tempo....
Sorrisos, gargalhadas, lágrimas
Sonhos, desilusões
Realidade
Cumplicidade, desencontro

Foram mais de 365 dias de pura amizade...sem nunca a palavra voltar fazer parte do querer...
Obrigada!! (pouco para tanto)

domingo, 2 de novembro de 2008

Letras, palavras, pensamentos

As letras, palavras, frases trazem consigo mais do que risos ou desenhos feitos por objecto de escrita. São elementos fundamentais, misteriosos, complexos e ao mesmo tempo simples, códigos infindáveis.
São as palavras que podem fazer a diferença na nossa vida, o dado lançado ao ar que cairá de alguma forma distinta, que levará a uma única solução. As palavras também são assim, podem-nos dizer muito, ou nada, meras palavras vazias ou muitas mensagens e sentimentos transmitidos. É em alguns momentos da vida que uma mera palavra poderá alterar o destino do homem, um sim, um não, quero, não quero, amo-te, não te amo, respeito-te, admiro-te, desilusão, etc. ...
Elemento fundamental na comunicação de cada pessoa, onde poderão ser expressos sentimentos, ideias, pensamentos ou simples afirmações. As palavras são o emissor fundamental a quem se deve amar, respeitar e escutar. Falar sem razão, escrever sem qualquer fundamento reflectido não vão passar de palavras vazias, folhas brancas que nada têm se não símbolos.
É um dom com algo de divino e resplandecente dado ao ser humano. Palavras ditas e escritas verdadeiramente nunca se irão apagar.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Olhar


De onde apareces-te não sei, talvez por um passo mágico, pois sei que mágico tu és. Como que por um feitiço os nossos olhares cruzaram-se e nunca mais se moveram. O teu olhar é o teu olhar, único. Os teus olhares falaram comigo como nunca ninguém o fez, chegas-te a mim. Tivemos conversas tão nossas que ninguém as poderá imaginar ou sentir, secretamente nossas.
Questiono-me quem és tu? Que olhar é este? Chegas-te tão fundo que já nao consigo ser a mesma. Os meus olhos já não me obedecem, renderam-se aos teus, que tornaram-se o significado e sobrevivência. Fazem o caminho e aproximação que os nossos corpos ainda não o fizeram. Mas o teu olhar já me faz sentir-te tão perto de mim, que sinto que já nos entregamos totalmente um ao outro. Fazes-me sentir de uma forma única, preenchida.
Sei que por mais que me quisesse desprender de ti, ficaria outra pessoa e não eu...o meu coração, o meu olhar ficaria para sempre preso a ti. Prende-me a ti e não tentarei fugir. Fugir seria insensato, pois estaria a deixar-nos ir. Eu não quero...espero que tu também não o queiras, Pois, tu e o teu olhar já se tornaram meus, essenciais.
Peço-te de uma forma silenciosamente gritante que me prendas a ti, que nos prendas a ti, que nos prendas ao destino...ao nosso amor. O nosso olhar poderá existir, basta prendermo-nos.

domingo, 19 de outubro de 2008

Imortais

"Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir

Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for para onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Por mais que a vida nos agarre assim
Não dê em troca do que nos roubou
Às vezes fogo e mar, loucura e chão
Ás vezes só a cinza do que sobrou

Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olharmos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu sei te dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer"

Mafalda Veiga

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sentimentos...



São muitos os sentimentos que são obtidos e sentidos ao longo da vida. Sentimentos opostos, semelhantes, iguais e até complementáveis. Dão-nos sentido e vida à vida. Mas ao longo dessa mesma vida os sentimentos podem possuir um papel muito contraditório ao sonhado por cada alma sonhadora que somos. Levam ao turbilhão de pensamentos e sentimentos quando se tornam opostos aos sonhados e esperados. É aqui que muitas vezes que o sentimento leva ao resentimento, à revolta, incompreensão. Neste lugar onde se chega, a paz parece ser algo invisível, intocável ou mesmo inexistente. Poderá levar a uma luta interior muito grande, longa e violenta. Somos levados a ganhar novas armas de defesa se não queremos chegar ao limite da vela que nos ilumina o caminho da vida. As armas de guerra tornam-se mágicas e suepreendentes, estas estão mesmo dentro de casa alma lutadora, é de dentro dela que nasce a guerra mas também as armas contra a mesma.
O conhecimento interior é algo que se adquire, ouvir pensamentos interiores por mais pequenos e discretos que sejam, a reflexão, tomando em conta tudo e todos. São grandes as armas, não de combate directo, mas de busca do caminho correcto, deixando para tras inquietações que ao serem questionadas não trazem respostas.

Seguir, olhar em volta com total simplicidade e pureza. Desprende-te, sê livre, voa!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Fazes-me bem

Fazes-me bem...
Sei que sim...
O porquê não sei...
Fazes-me bem...
Talvez seja o teu olhar, que se torna um mar profundo onde posso mergulhar...
Talvez, não sei...
Fazes-me bem...
Talvez seja o teu sorriso, um espelho onde encontro o reflexo da felicidade...
Talvez, não sei...
Fazes-me bem...
Talvez seja a tua voz, um vento que vem e embala como uma mãe faz ao seu filho...
Talvez, não sei...
Fazes-me bem...
Talvez seja a tua presença, por muito que não te vela sei que estãs ao meu lado, és a paz no momento de guerra...
Talvez...
Sim, és tu...
Fazes-me bem!