terça-feira, 5 de maio de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

Cavalos




O espírito move homens e animais de uma forma mágica e sem porquês.

P.S - Romaria de inúmeros cavalos com a Nossa Senhora de Aires

quinta-feira, 12 de março de 2009

Bater de asas



Acordo agora numa nova realidade, existe uma ausência que diariamente se impõe na minha realidade. Olho para o meu mundo, a tua ausência torna-o maior e mais despido. Despido de amor, amizade, sentimentos, conversas e cumplicidade. Nesta nudez é o eco que me responde quando volto a projectar a minha voz na busca da tua que agora só vive na minha memória de ti. Onde estão os nossos diálogos? Onde ficaram os nossos minutos, aqueles em que tudo dizíamos e púnhamos a conversa em dia, ou aqueles nossos silêncios, parávamos a observar o mundo na sua constante agitação, mas nós nada dizíamos, tudo pensava-mos e naquele silêncio de palavras muita coisa era dita e sentida.
Prossigo a minha vida, como tu de certeza desejas, mas tu não vais com o tempo, trago-te comigo. És tu que estás bem presente quando abro os olhos todas as manhãs, quando bebo o meu café e troco bons momentos com amigas, és tu que estás comigo quando estou a trabalhar, algo com que estavas sempre preocupado, na tua apaixonada e cómica ânsia de que estivesse a gostar e a sentir-me feliz. À noite quando regresso ao mundo que pertences-te, ainda aqui estás, a olhar para mim como mais ninguém o sabia fazer. Olhares nossos.
Olho para ti e sorrimos como se tivéssemos trocado um segredo. É com esse sorriso que todas as noites volto a dormir, contigo no meu coração. Fecho os olhos e tu ali ficas, à minha cabeceira, a admirar-me e abençoar-me, desejas-me bons sonhos, pois tu vais ficar para me proteger dos pesadelos. Meu anjo da guarda, agora descanso deitada nas tuas macias asas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Partida


Hoje vi-te partir, sem tempo para porquês. Foste e eu fiquei a ver-te partir, deixando correr as lágrimas de tristeza e saudade. Agora que foste só me resta recordar-te como eras, como éramos. Cada momento ficou como se fosse hoje vivido. Recordo-te com todo o amor e saudade, as nossas conversas, brincadeiras, sorrisos, preocupações, desabafos, a totalidade de cumplicidade presente.
Continuas comigo, bem dentro do meu coração, revejo-te como eras, a tua presença calma e reconfortante, o teu sorriso tímido mas contagiante, o teu olhar de eterno menino, brilhantes e sonhadores. Teu coração baú do mundo, onde gostavas de acolher humildemente todas as almas, baú onde refugiavas teus pensamentos de permanente aventura. É nesse teu grande baú de amor que eu encontrava a paz, o amor, a compreensão, a tolerância, a escuta muitas vezes sem porquês.
Deixas-te pequenos grandes pedaços da tua alma, amor e pensamentos...ainda hoje, quando a noite chega é no meio do céu negro e estrelas brilhantes é a tua voz que me embala, a chamar por mim...
Não sei de onde chamas por mim, mas acredito que estás no melhor local imaginário, onde todos os anjos da guarda descansam e preparam-se para cuidar e embalar as pessoas que mais amam.
Anjo da guarda eterno.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Paraíso



De olhos fechados no agora…sinto uma brisa fresca a tocar a minha face. De muitos locais onde já estive durante a minha vida este é diferente, o que chega até mim é uma brisa reconfortante, embaladora fazendo-me lembrar os braços protectores da minha mãe, onde era refugiada e adormecida. Esta brisa trás ainda mais recordações dessa pessoa, pois esta brisa faz-se soar nos meus ouvidos. Este som é uma harmonia, tocada por inúmeros instrumentos de uma orquestra afinada e harmoniosa, era assim que os meus ouvidos escutavam a melhor harmonia terrena…o mar. Uma imensidão tão grande num planeta tão pequeno, tanta transparência mas com tanta vida oculta, tanta calma mas personalidade marcada. É esta a acalmia e a melodia celestial e harmoniosa que me chega.

O conforto e a harmonia invadem o meu interior, sinto-me a ser levada para outro local, talvez outra dimensão…a leveza reina em mim, o “nada” bem presente como se nada mais existisse se não eu e a imensidão do tempo, sem passado, presente ou mesmo futuro. Este estado é familiar, já fora sentido por mim, onde nada mais existia…o meu quarto. Espaço pequeno mas gigante. Sim, é ele o meu mundo, marcado com pequenos pedaços de mim. Paredes silenciosas mas não vazias, guardadoras de segredos, testemunhas de acontecimentos tão normais mas ao mesmo tempo especiais e pessoais. Ali era levada para a minha dimensão, onde eu era eu, pensamentos meus, sentimentos meus, dúvidas minhas, mas um pouco de tudo de todos. O mundo ficava lá fora mas as pessoas vinham comigo, eram elas que também faziam o meu mundo. O meu pequeno e enorme mundo.

Mas neste momento não é o cheiro de incenso, dos meus perfumes e dos pensamentos que está no ar. Ao meu nariz chega outro aroma bem diferente, chegou vindo pela brisa. É um aroma fresco, fino, suave mas mesmo assim definido, trás consigo um travo salgado. Este cheiro salgado faz-me despertar, querer despertar para o momento.

Abro os olhos e há uma conjugação de azuis, pequenos amontoados de branco que se vão mexendo como se quisessem vir em meu encontro, tocar e envolver suavemente. Volto a observar o que a minha volta está presente. Do alto vem uma luz branca, mas não é fácil olhar, parece querer estar ali mas manter-se numa nuvem envolvente de mistério.

Agora com os olhos mais afeitos ao que observam, olho para mim mesma. O meu corpo está agora coberto por uma túnica branca, agora com as minhas pernas cruzadas, os braços caídos sobre elas. Não estou no “nada” como me sentia, estou sentada sobre um aglomerado de pequenos grãos castanhos, deixo-os assentar na palma da minha mão, escorregam entre os dedos, é areia. Elemento bem importante e familiar, onde muitas vezes me deitei com o objectivo de nada fazer, só deixar o tempo passar, onde deixei o meu corpo ser coberto por estes grãos, onde uma pequena criança chegou a sonhar e construir castelos, muralhas, numa tentativa de dar forma aos pequenos pedaços…

Agora encontrei-me…eu, o horizonte, o mar, o céu, o sol, a praia, as ondas, o cheiro à maresia, os grãos de areia, os raios de sol… Saboreio este paraíso oferecido…onde o paladar, o verdadeiro, é sentir-me eu, ali nada mais existe.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Fragmentos gigantes de tempo


Tantas coisas já foram levadas pelo vento do tempo....
Sorrisos, gargalhadas, lágrimas
Sonhos, desilusões
Realidade
Cumplicidade, desencontro

Foram mais de 365 dias de pura amizade...sem nunca a palavra voltar fazer parte do querer...
Obrigada!! (pouco para tanto)

domingo, 2 de novembro de 2008

Letras, palavras, pensamentos

As letras, palavras, frases trazem consigo mais do que risos ou desenhos feitos por objecto de escrita. São elementos fundamentais, misteriosos, complexos e ao mesmo tempo simples, códigos infindáveis.
São as palavras que podem fazer a diferença na nossa vida, o dado lançado ao ar que cairá de alguma forma distinta, que levará a uma única solução. As palavras também são assim, podem-nos dizer muito, ou nada, meras palavras vazias ou muitas mensagens e sentimentos transmitidos. É em alguns momentos da vida que uma mera palavra poderá alterar o destino do homem, um sim, um não, quero, não quero, amo-te, não te amo, respeito-te, admiro-te, desilusão, etc. ...
Elemento fundamental na comunicação de cada pessoa, onde poderão ser expressos sentimentos, ideias, pensamentos ou simples afirmações. As palavras são o emissor fundamental a quem se deve amar, respeitar e escutar. Falar sem razão, escrever sem qualquer fundamento reflectido não vão passar de palavras vazias, folhas brancas que nada têm se não símbolos.
É um dom com algo de divino e resplandecente dado ao ser humano. Palavras ditas e escritas verdadeiramente nunca se irão apagar.